Viver numa ilha tem os seus previlégios.
Sentir o cheiro do mar na pele e a bravura das ondas salgadas a afagar o peito, leva-me ao mundo da esperança e da fantasia onde o céu é mais azul e onde o riso permanece nos rostos de infância.
Gosto de inventar um sol dourado, e escavar na pedra dura da terra onde os grãos negros de basalto esvoaçam ao sabor do vento, e revestem as minhas mãos, ainda enevoadas pelo ardor do verde que reflecte no horizonte.
Sim, gosto da ilha e deixo-me levar pelo feitiço do seu olhar estonteante.
Um olhar caloroso onde aconchego-me todas as noites, e adormeço profundamente acreditando ainda nas histórias encantadas que a minha mãe contava-me nos tempos de menina.
Uma infância apetrechada de livros onde a voz da minha mãe prevalece na memória do tempo.
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