segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

a Mãe é que sabe: Às vezes ainda acho que sou uma adolescente.

Gostei muito. Parabéns.a Mãe é que sabe: Às vezes ainda acho que sou uma adolescente.: Juro que não sei como isto foi acontecer. Juro que ainda tenho 16 anos, cheia de sonhos. Juro que ainda estou ali a lamber o ombro, discret...

terça-feira, 5 de março de 2013

Desbravar





Quem me dera que o teu rosto


não escondesse aquilo que sentes


porque as máscaras revestem


o corpo e confundem


a simplicidade do ser.


Quem me dera que os teus olhos brilhassem


nesta madrugada singular


onde a natureza espreita de forma timida


e sensual as brechas da tua alma.


Quem me dera









terça-feira, 31 de maio de 2011

Mãe

Foi através da minha mãe que criei o gosto pela leitura, e que viajei por carreirinhos de palavras e livros que aguçavam-me a curiosidade e deixavam-me perplexa de espanto!
Era ainda menina e já sentia na pele o fascinio pelos livros, o fernesim da leitura a percorrer os caminhos do imaginário, o eco das sílavas a afagar a minha alma, de mansinho como quem desbrava uma madrugada ainda por nascer.
A minha mãe, uma mulher atarefada com as lidas domésticas possuia umas mãos calejadas de ceifar a vida e um  olhar profundo e silencioso perdido no horizonte. Num gesto  maternal e mágico as rendas entrelaçavam os seus dedos hajeis e maduros, e através das suas mãos floresciam pequenas obras de valor que ela tecia com muito cuidado e dedicação.
No seu regaço, caloroso e humilde espreitava timidamente a curiosidade dos livros, o gosto pela leitura e a sede avassaladora de aprender sempre mais, mas infelizmente o tempo e a vida não permitia que ela tivesse acesso a esse tipo de prazer,  considerado uma perda de tempo.
Lá longe, na distância dos estímulos, os livros ficavam recolhidos em segredo debaixo da almofada ou escondidos debaixo do avental, onde de forma discreta afeiçoavam-se ás rendas brancas que os protegiam dos olhares indiscretos.
Foi assim, que a minha mãe criou labirintos de palavras dentro de si e escreveu histórias invisíveis   na palma das suas mãos. 

terça-feira, 17 de maio de 2011

Viver numa ilha tem os seus previlégios.
Sentir o cheiro do mar na pele e a bravura das ondas salgadas a afagar o peito, leva-me ao mundo da esperança e da fantasia onde o céu é mais azul e onde o riso permanece nos rostos de infância.
Gosto de inventar um sol dourado, e escavar na pedra dura da terra onde os grãos negros de basalto esvoaçam ao sabor do vento, e revestem as minhas mãos, ainda enevoadas pelo ardor do verde que reflecte no horizonte.
Sim, gosto da ilha e deixo-me levar pelo feitiço do seu olhar estonteante.
Um olhar caloroso onde aconchego-me todas as noites, e adormeço profundamente acreditando ainda nas histórias encantadas que a minha mãe contava-me nos tempos de menina.
Uma infância apetrechada de livros onde a voz da minha mãe prevalece na memória do tempo.